terça-feira, 18 de agosto de 2015

Tolkien: O Neo-Platônico

O caso de Tom Bombadil e o UM evidencia importantes elementos na concepção cosmológica do Silmarillion. A primeira é a influência da Filosofia platônica na concepção do Mundo Material constante na obra. Tal conceito é elencado pelo ponto de vista dos Ainur no que diz respeito a realidade de suas formas racionais:

"Então os Valar assumiram formas e matizes; adotaram formas de acordo com o estilo que haviam contemplado na Visão de Ilúvatar, menos na majestade e no esplendor.Além do mais, sua forma deriva de seu conhecimento do Mundo visível, em vez de derivar do Mundo em si; e eles não precisam dela, a não ser apenas como as vestes que usamos, e, no entanto podemos estar nus sem sofrer nenhuma perda de nosso ser. Portanto, os Valar podem caminhar, se quiserem, despidos; e nesse caso nem mesmo os eldar conseguem percebê-los com clareza, mesmo que estejam presentes. Quando os Valar desejam trajar-se, porém, costumam assumir, alguns, formas masculinas, outros, formas femininas; pois essa diferença de temperamento eles possuíam desde o início, e ela somente se manifesta na escolha de cada um, não sendo criada por essa escolha, exatamente como entre nós o masculino e o feminino podem ser revelados pelos trajes, mas não criados por eles."

Na concepção da realidade apresentado COM e SEM o uso do Um Anel, existe o Mundo Visível e seu contraponto que Tolkien descreve como O MUNDO EM SI. O Mundo Visível é uma representação da "Música dos Ainur". Tolkien descreve que as formas dos Ainur baseadas no mundo visível são apenas uma miragem afim de encobrir sua essência, ou seja, uma imitação de algo que já preexiste:

"Mas, por mais belas e nobres que fossem as formas dos Filhos de Ilúvatar, elas não passavam de um véu a encobrir sua beleza e seu poder. E, se pouco se diz aqui de tudo o que os eldar souberam outrora, isso não é nada em comparação com seu verdadeiro ser, que remonta a regiões e eras muito além do alcance de nossa mente."

A utilização do Anel não leva o usuário á um Universo paralelo, neste caso, o anel ativaria a percepção de um mundo espiritualizado e corrompido pela essência maligna do Anel e de Sauron, o que neste caso se externaliza pelas sombras e formas difusas dos constantes presentes. O uso do Anel pressupõe que o Mundo Real é apenas uma parte da verdadeira realidade. Esta se encontra na "Música dos Ainur", este evento imensurável e cósmico está além da percepção dos eruhins:

"Mas de todas era a água a que mais enalteciam. E dizem os eldar que na água ainda vive o eco da Música dos Ainur mais do que em qualquer outra substância existente na Terra; e muitos dos Filhos de Ilúvatar escutam, ainda insaciados, as vozes do Oceano,sem contudo saber por que o fazem."

Isso ecoa demais no dito Filosófico da Teoria das Formas e Idéias de Platão. Essa teoria assegura que a realidade mais fundamental é composta de idéias ou formas abstratas, mas substanciais. Para ele, estas idéias ou formas são os únicos objetos passíveis de oferecer verdadeiro conhecimento.

"Além do mais, sua forma deriva de seu conhecimento do Mundo visível, em vez de derivar do Mundo em si;e eles não precisam dela, a não ser apenas como as vestes que usamos, e, no entanto podemos estar nus sem sofrer nenhuma perda de nosso ser. Portanto, os Valar podem caminhar, se quiserem, despidos; e nesse caso nem mesmo os eldar conseguem percebê-los com clareza, mesmo que estejam presentes. Quando os Valar desejam trajar-se, porém, costumam assumir, alguns, formas masculinas, outros, formas femininas; pois essa diferença de temperamento eles possuíam desde o início,e ela somente se manifesta na escolha de cada um, não sendo criada por essa escolha."

O Um é uma extensão de Sauron, sendo ele um Ainur, e, conforme o Lgendarium descreve, os Ainur e suas formas residiram no mundo inteligível, fora do tempo e do espaço, e não no mundo sensível. Reiterando o oposto no texto acima, os objetos do mundo comum organizam suas estruturas conforme a estas formas primordiais, mas não são capazes de revelá-los em sua plenitude.


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